Por sua vez, lamúrias e vitimização não farão com que haja alteração e, muito menos, transformação na educação no Brasil. Culpar as famílias pelo insucesso de seus filhos; a gestão escolar pela indisciplina na escola; os meios de comunicação pelo fenômento da violência; os baixos salários pelos descumprimentos de nossos agires profissionais; os governos pela baixa qualidade do ensino e da educação; aproveitar os momentos de formação para despejar todas as nossas mágoas, sem que tenhamos a consciência precisa de que movimentos reivindicatórios devem ser efetuados, porém nos fóruns apropriados - o sindicato é o mais legítimo; nos apropriarmos de todo esse arsenal, sem, contudo, nos envolvermos é no mínimo não compreender o que significa processo educacional, seja em uma escola, seja em quaisquer espaços educacionais.
Por outro lado, precisamos compreender que aprendizado não se reduz a assimilação de conteúdos específicos de disciplinas curriculares, apesar de sê-lo importantíssimo. É também a absorção de conhecimentos vivenciais e comunicacionais da diversidade de histórias e culturas presentes no ambiente escolar. Assim, se um aluno não logrou êxito, não levou a sério o seu trabalho escolar e o educador não conseguiu trazê-lo para vivênciar o processo educacional, houve falhas na situação relacional de educando e educador, da escola e da família, do educador e do educando com os demais profissionais da escola. No entanto, esse educando não ficou completamente alheio e desprovido de qualquer conhecimento. Ele conviveu com os seus iguais dentro e fora da escola e, até com as divergências e conflitos entre ele e a escola, pode aprender. Assim, valeu a pena conviver com os educandos e atuar em nossa profissão durante mais um ano letivo.
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