domingo, 20 de maio de 2012

Metodologia_e_Organizacao_de_Projeto_de_Pesquisa.pdf (objeto application/pdf)

Metodologia_e_Organizacao_de_Projeto_de_Pesquisa.pdf (objeto application/pdf)

MESTRES DE AMANHÃ [1]
Anísio Teixeira
Creio, no exame do tema que nos ocupa, que não me cumpre exprimir apenas ansiedades e esperanças a respeito dos mestres de amanhã, mas procurar antecipar, em face das condições e da situação de hoje, o que poderá ser o mestre dos dias vindouros. E entre os mestres buscarei, sobretudo, caracterizar os mestres do ensino comum, do ensino destinado a todos, ou seja, na fase contemporânea, os mestres da escola primária e da escola secundária. É o mestre da escola elementar e da escola secundária que está em crise e se vê mais profundamente atingido e compelido a mudar pelas condições dos tempos presentes. E por quê? Porque estamos entrando em uma fase nova da civilização chamada industrial, com a explosão contemporânea dos conhecimentos, com o desenvolvimento da tecnologia e com a extrema complexidade conseqüente da sociedade moderna.
Na realidade, o nosso esforço pela educação do homem, até muito recentemente, não chegou a ultrapassar os objetivos de prepará-lo para uma sociedade muito mais singela do que a sociedade moderna. Tomando o exemplo das sociedades desenvolvidas, que chegaram, como no caso da América do Norte, a oferecer educação a todos até os dezoito anos, a escola elementar e a secundária constituiram-se em escolas intelectualmente desambiciosas, destinadas a oferecer uma educação capaz de formar os jovens para o convívio político, social e econômico de uma sociedade de trabalho competitivo, mas ao que se acreditava relativamente singela e homogênea. A criação mais original da sociedade americana nesse campo foi a da comprehensive school de nível secundário, com a flexibilidade dos seus currículos e a concentração na mesma escola de alunos os mais diversos nas aptidões, nas opções de estudo, na inteligência e nos objetivos escolares. Esta escola, que resistiu ao severo estudo e análise de Conant, representa, na realidade, uma inovação em seus aspectos fundamentais. Constitui uma antecipação, se considerarmos que sua filosofia importa reconhecer certa unidade da cultura contemporânea, a despeito de sua aparente diversidade, e a equivalência das diferentes carreiras a que se iriam devotar os seus alunos.
Correta, assim, na sua estrutura, não creio, entretanto, que tenha conseguido realmente oferecer uma educação à altura do desafio dos nossos tempos. O que os nossos tempos pediam era uma forte educação intelectual para o jovem moderno, a despeito das diferentes aptidões que possuísse, dos diferentes interesses que revelasse e das diferentes carreiras a que se destinasse. A escola compreensiva reuniu todos os jovens na mesma escola e, para lhes dar a impressão de uma educação comum, diluiu o conteúdo dos diferentes programas, a fim de lhes emprestar uma equivalência, que só por essa diluição se fazia verdadeira.
Entrementes, que se passava com a civilização contemporânea? Entrava ela em fase de desenvolvimento científico até certo ponto inesperado, levando-a na indústria à automação, na vida econômica a um grau espantoso de opulência e na vida política e social a desenvolvimento de meios de comunicação de tal extensão e vigor que os órgãos de informação e de recreação se viram subitamente com o poder de condicionar mentalmente o indivíduo, transformando-o em joguete das forças de propaganda e algo de passivo no campo da recreação e do prazer. O desenvolvimento contemporâneo no campo dos processos de comunicação já foi comparado ao da descoberta da imprensa, que gerou também, conforme sabemos, um período de certa degradação na difusão do conhecimento semelhante ao que se observa hoje com a utilização dos meios de comunicação em massa. A verdade é que cada meio novo de comunicação, ao surgir, não produz imediatamente os resultados esperados, mas, muitas vezes, a difusão do que há de menos interessante, embora mais aparentemente popular, na cultura comum. Não é apenas isto. Cada meio novo de comunicação alarga o espaço dentro do qual vive o homem e torna mais impessoal a comunicação, exigindo, em rigor, do cérebro humano compreensão mais delicada do valor, do significado e das circunstâncias em que a nova comunicação lhe é feita.
Se partirmos do período da simples comunicação oral de pessoa a pessoa que se conheçam mutuamente no pequeno meio local, para a comunicação com o estranho e depois para a comunicação escrita ainda entre pessoas que se conheçam (correspondência) e, a seguir para a comunicação escrita pelo texto e livro e pelo jornal, ainda locais, e, afinal, pelo telégrafo, pelo telefone, pelo cinema, pelo rádio, pela televisão, pela comunicação estendida a todo o planeta que faz subitamente o homem comum não apenas o habitante de sua rua, sua cidade, seu Estado, sua nação, mas literalmente de todo o planeta e participante de uma cultura não apenas local e nacional, mas mundial, podemos ver e sentir o grau de cultivo mental necessário para lhe ser possível submeter a informação, que lhe é assim trazida de todo o mundo, ao crivo de sua própria mente, a fim de compreendê-la e absorvê-la com o mesmo sentido de integração com que recebia a comunicação local e pessoal do seu período paroquial de vida. Não somente, a comunicação se fez assim universal no espaço, como também, com os novos recursos técnicos, se estendeu através do tempo, podendo o homem em uma simples sessão de cinema visualizar as civilizações ao longo da história, como sucede nos grandes espetáculos modernos em que a cultura antiga é apresentada de forma nem sequer sonhada pelos mais ambiciosos historiadores do passado.
Toda essa imensa revolução dos meios de comunicação não poderia deixar de criar, em sua fase inicial, antes a confusão do que o esclarecimento, sobretudo porque esses meios não foram sequer conservados na posse dos grupos responsáveis pela educação do homem, como a escrita e a imprensa, por exemplo, de certo modo se mantiveram, mas se fizeram recursos para a propaganda e a diversão comercializada, quando não para o condicionamento político e ideológico do homem.
A educação para este período de nossa civilização ainda está para ser concebida e planejada e, depois disto, para executá-la, será preciso verdadeiramente um novo mestre, dotado de grau de cultura e de treino que apenas começamos a imaginar. Desde que surgiu a cultura escrita na história humana jamais faltaram guardiãs, tanto quanto possível, competentes, para conservá-la e defender-lhe, por vezes excessivamente, a sua pureza. Quando afinal surgiram as universidades, o engenho humano tudo fez para resguardar-lhes a liberdade e a independência, a fim de que o saber humano pelos que soubessem fosse conservado e cultivado. Ao ampliar-se a universidade pelas escolas de cultura comum para todos, o preparo do mestre - ou seja, o guardião e transmissor da cultura - se fez até o começo do nosso século com razoável proficiência. Tanto quanto possível era ele o transmissor de uma cultura cuja significação e limites conhecia e, sobretudo, era o mais importante transmissor dessa cultura, estando em seu poder comandar até certo ponto a formação do educando.
Com a expansão dos meios de comunicação, o mestre perdeu esse antigo poder, passando a ser apenas um contribuinte para a formação do aluno, que recebe, em relativa desordem, por esses novos meios de comunicação, imprensa, rádio e televisão, massa incrível de informações e sugestões provenientes de uma civilização agitada por extrema difusão cultural e em acelerado estado de mudança. A Universidade conservou, a despeito de tudo, um certo controle dessa cultura extremamente difusa e em explosiva mudança, graças à alta qualidade dos seus professores e à vigorosa institucionalização de sua independência e sua liberdade, mas as escolas de cultura geral do homem comum ficaram com os mestres preparados para ministrar a cultura muito mais simples e paroquial do século passado. Bem sei que o preparo destes mestres se faz cada vez mais longo e nos países mais desenvolvidos já está francamente exigindo graus universitários. A tarefa, entretanto, é bem mais difícil e complexa.
Na Inglaterra, fez-se uma experiência de ensino universitário - o colégio universitário de Keele, que me parece merecer aqui uma referência. Como sabemos, o University College of North Staffordshire surgiu em 1950 com a intenção de criar um tipo novo de ensino universitário. Não irei descrever em detalhe a experiência de Keele, mas apenas comentar o primeiro ano de estudos desse novo colégio universitário, que constitui um exemplo do tipo global de cultura que seria necessário ao homem moderno. O propósito desse ano inicial, chamado de fundamentos, foi o de rever, discutir e ilustrar os fundamentos, a herança, as conquistas e os problemas da civilização ocidental. Tomo do relatório sobre essa experiência a seguinte formulação dos objetivos desse primeiro ano de estudos. O curso começa "levando os estudantes, pela contemplação dos céus, à luz da astronomia e da física moderna, a um sentimento de espanto, maravilha e beleza. Não somente o estudante de arte, mas também o cientista vê sob essa nova luz a fé e os métodos do físico, numa súmula do progresso científico a partir de Kepler, Galileu e Newton até as excitantes especulações da moderna cosmologia. Acompanhando os passos da inquirição humana desde a indagação de Olbert "Por que é a noite escura?" até a teoria da criação contínua, sentir-se-á o estudante a reproduzir essa extraordinária aventura da mente humana no seu esforço de imaginar e descobrir a natureza do universo. Segue-se o geólogo com a descrição da história da terra durante os 3.000.000.000 de anos ou mais que antecederam o aparecimento do homem. O geógrafo, depois, estuda o clima e os fatores do meio ambiente. O biólogo introduz os seres vivos e analisa as teorias da origem e a evolução do homem. Já aí os estudantes terão atingido a dose de humildade suficiente para apreciar as conquistas das primeiras civilizações, que lhe serão apresentadas pelos professores de saber clássico, pelo filósofo, pelo teólogo e pelo historiador. Daí prossegue o curso introduzindo o estudante na consideração das característicos e dos problemas da civilização ocidental numa era industrial, conforme os vêem os historiadores, os geógrafos, os cientistas políticos, os educadores e os economistas. A perspectiva já então é a dos dias de hoje, projetada desse fundo histórico, a fim de levar o estudante a sentir e apreciar os muitos e sérios problemas que hoje nos defrontam. A terceira parte do curso se detém nas realizações criadoras do homem - a língua, a literatura, as artes, a música, a arquitetura, as matemáticas, as ciências e a tecnologia e, por fim, o próprio homem e sua crença serão estudados por filósofos, psicólogos, sociólogos, teólogos e biólogos."
Atrevo-me a considerar que este deverá ser amanhã o programa de educação comum do homem moderno e não apenas, como em Keele, a introdução aos estudos de nível superior. Com os recursos técnicos modernos, estamos em condições de oferecer a cada jovem, antes de terminar o nível secundário de estudos um quadro da cultura contemporânea, desde os seus primórdios até os problemas e complexidades dos dias presentes. Não teremos todos os professores especializados com que conta Keele para a sua experiência, mas, com os recursos da televisão, do cinema e do disco podemos levar todos os jovens a ver e ouvir, ou, pelo menos, a ouvir, esses especialistas e, a seguir, com o professor da Classe, desdobrar, discutir e completar as lições que grandes mestres desse modo lhe tenham oferecido. Mesmo assim, entretanto, será imensa a tarefa do professor secundário e grande deve ser o preparo, para que possa conduzir o jovem nessa tentativa de dar à sua cultura básica a largueza, a segurança e a perspectiva de uma visão global do esforço do homem sobre a terra.
Os meios modernos de comunicação fizeram do nosso planeta um pequenino planeta e dos seus habitantes vizinhos uns dos outros. Por outro lado, as forças do desenvolvimento também nos aproximaram e criaram problemas comuns para o homem contemporâneo. Tudo está a indicar que não estamos longe de formas internacionais de governo. Se a isto juntarmos a explosão de conhecimentos e as mudanças que os novos conhecimentos, com as suas conseqüências tecnológicas, estão a trazer, podemos imaginar até que ponto as forças do costume, dos hábitos e das velhas crenças e preconceitos vão ser destruídas e quanto vai o homem depender de sua cultura formal e consciente, de seu conhecimento intelectual, simbólico e indireto, para se conduzir dentro da nova e desmesurada amplitude de sua vida pessoal. São, portanto, de assustar as responsabilidades que aguardam o mestre de amanhã. Sabemos o que se conseguiu, no passado, com a educação de grupos seletos de estudantes. A nossa tarefa é hoje muito mais difícil. Primeiro, porque precisamos fazer algo de semelhante para todos e não apenas para alguns e segundo porque já não estaremos ministrando a cultura clássica, mas a complexa, variada e, sob muitos aspectos, abstrusa cultura científica moderna.
Diante dos novos recursos tecnológicos, ouso crer ser possível a completa reformulação dos objetivos da cultura elementar e secundária do homem de hoje e, em conseqüência, de alterar a formação do mestre para essa sua nova tarefa. Que haverá já hoje que nos possa sugerir o que poderá vir a ser a escola de amanhã? Perdoem-me que lhes lembre as transformações operadas nos grandes empreendimentos que dirigem a informação e as diversões modernas: a imprensa, o cinema, o rádio e a televisão. Entregues à iniciativa privada e dominada pelo espírito de competição, o jornal, a revista, a produção de filmes e as estações de rádio e de televisão tornaram-se grandes serviços técnicos e desenvolveram tipos de profissionais especializados, dotados de extrema virtuosidade, que se empenharam em se pôr à altura dos recursos tecnológicos e do grau de expansão da cultura moderna. Algo de semelhante será o que irá suceder com a escola, com a classe e com o professor. Se a biblioteca, de certo modo, já fizera do mestre um condutor dos estudos do aluno e não propriamente o transmissor da cultura, os novos recursos tecnológicos e os meios audiovisuais irão transformar o mestre no estimulador e assessor do estudante, cuja atividade de aprendizagem deve guiar, orientando-o em meio às dificuldades da aquisição das estruturas e modos de pensar fundamentais da cultura contemporânea de base científica em seus aspectos físicos e humanos. Mais do que o conteúdo do conhecimento em permanente expansão, cabe-lhe, com efeito, ensinar ao jovem aprendiz a aprender os métodos de pensar das ciências físico-matemáticas, biológicas e sociais, a fim de habilitá-lo a fazer de toda a sua vida uma vida de instrução e estudos.
Talvez se possa dizer, embora represente uma grande simplificação, que a educação até há pouco tempo oferecida pela escola não passou, no nível elementar, da aprendizagem das artes de ler e escrever, como instrumento de comunicação e de trabalho, seguida de uma iniciação medíocre à vida cívica e política de sua nação; no nível secundário, do preparo do adolescente para as ocupações que requerem certo nível técnico e para a continuação dos seus estudos em nível superior; e, no nível superior, do preparo do profissional de nível superior e o do scholar ou pesquisador. Fora disto, há que notar que as universidades se constituíram elas próprias centros de pesquisa, de descoberta do conhecimento e de sua expansão. Ora, somente este grupo último de pesquisadores está efetivamente de posse dos instrumentos e dos objetivos da cultura científica em que estamos imersos e que nos conduz, sem dela termos real e efetiva consciência. O próprio scholar e pesquisador, embora seja o maior contribuinte dessa cultura moderna, só raramente tem dela consciência adequada, pois o grau de especialização do seu trabalho o obriga a tal concentração de esforço e de interesse, que lhe dificulta se não impede a visão global dessa cultura. O fato, contudo de estar mais empenhado em descobrir, em aumentar o saber, do que no saber existente propriamente dito, fá-lo o que há de mais próximo em nossa sociedade do que deveria ser cada um dos membros dessa sociedade. Longe de mim julgar possível que cada um de nós venha a ser um pesquisador no sentido acadêmico. Nem seria possível, nem resolveria a dificuldade da sociedade contemporânea.
De certo modo, o que estou a insinuar é talvez até mais amplo, embora não me pareça tão difícil. Se a experiência de Keele pode constituir um exemplo do que se deveria fazer para dar ao cidadão do nosso tempo a weltanschauung da cultura contemporânea, convém recordar que isto representaria somente a aquisição de uma visão adequada ao nosso tempo. Embora extremamente importante, esta visão não lhe bastará, se dela não emergir a atitude e o propósito profundos de se fazer um eterno estudante, cujo interesse permanente e vivo seja o de aprender sempre e mais. E nisto lembrará ele o pesquisador. Mas, enquanto este é um profissional empenhado em um pequeno campo de conhecimento e devotado a ampliá-lo, o cidadão comum é um homem comum empenhado em compreender e em agir cada vez mais lucidamente e mais eficientemente em sua ocupação e em sua vida global, pois lhe cumpre sentir-se responsável pela sua sociedade.
Acaso já refletimos que, se considerarmos utópica essa aspiração, teremos lavrado a nossa condenação à civilização científica que o homem está criando, mas será incapaz de dirigir e comandar? O que nos leva a considerar utópica esta imaginada integração do homem com a sua criação científica é a situação ainda dominante na educação oferecida pela escola.
H. G. Wells, um dos reconhecidos profetas dos primeiros tempos de nosso século, proclamou, na década dos vinte, que nos achávamos então em um páreo entre educação e catástrofe. Já na outra década venceu a catástrofe, de que somente agora parece vamos emergindo. Nosso otimismo, entretanto, não pode ser grande, pois, se sentimos nos entendimentos recentes um alvorecer de sabedoria política, o que por certo nos conforta, por outro lado, no campo da educação, cumpre-nos registrar apenas alguns significativos progressos no preparo de novos cientistas. Na educação comum do homem comum os progressos são os mais modestos. O homem comum está caminhando para ser o escravo como o entendia Aristóteles, ou seja, o homem que está na sociedade, mas não é da sociedade. O progresso científico está na tela e conduz o homem nenhum de nós sabe para onde. Ou melhor, todos sabemos, pois ninguém desconhece que, se a educação é cada vez mais fraca, o anúncio e a propaganda são cada vez mais fortes e nossa sociedade - sobretudo nos países em que já se fez afluente - é uma sociedade cujo objetivo se reduz ao de consumir cada vez maiores quantidades de bens materiais. Conseguimos condicionar o homem para essa carreira de consumo, inventando necessidades e lançando-o num delírio de busca ilimitada de excitação e falsos bens materiais.
Ora, se o anúncio logrou obter isto, foi porque os meios de influir e condicionar o homem se fizeram extremamente eficazes. Não será isto uma razão para não considerar utópico o nosso desejo de formar um homem capaz de ser responsável pela sua sociedade e não o seu joguete, ou o seu escravo no sentido aristotélico?
Para isto, ouso pensar, o problema consistiria em formar um mestre, esse mestre de amanhã, que fosse um pouco do que já são hoje certos jornalistas de revistas e páginas científicas, um pouco dos chamados por vezes injustamente popularizadores da ciência, um pouco dos cientistas que chegaram a escrever de modo geral e humano sobre a ciência, um pouco dos autores de enciclopédias e livros de referência e, ao mesmo tempo, mais do que tudo isto. O mestre de amanhã teria, com efeito, de ser treinado para ensinar basicamente as disciplinas do pensamento científico, ou seja, a disciplina do pensamento matemático, a do pensamento experimental, a do pensamento biológico e a do pensamento das ciências sociais, e com fundamento nessa instrumentação da inteligência contribuir para que o homem ordinário se faça um aprendiz com o desejo de continuar sempre aprendendo, pois sua cultura não só é intrinsecamente dinâmica, mas está constantemente a mudar-lhe a vida e a obrigá-lo a novos e delicados ajustamentos.
Por que não será impossível este mestre? Porque são extraordinários os recursos tecnológicos que terá para se fazer um mestre da civilização científica, podendo para isto utilizar o cinema como forma descritiva e narrativa e a televisão como forma de acesso a mestres maiores que ele. O mestre seria algo como um operador dos recursos tecnológicos modernos para a apresentação e o estudo da cultura moderna, e como estaria, assim, rodeado e envolvido pelo equipamento e pela tecnologia produzida pela ciência, não lhe seria difícil ensinar o método e a disciplina intelectual do saber que tudo isso produziu e continua a produzir. A sua escola de amanhã lembrará muito mais um laboratório, uma oficina, uma estação de televisão do que a escola de ontem e ainda de hoje. Entre as coisas mais antigas, lembrará muito mais uma biblioteca e um museu do que o tradicional edifício de salas de aulas. E, como intelectual, o mestre de amanhã, nesse aspecto, lembrará muito mais o bibliotecário apaixonado pela sua biblioteca, o conservador de museu apaixonado pelo seu museu e, no sentido mais moderno, o escritor de rádio, de cinema ou de televisão apaixonado pelos seus assuntos, o planejador de exposições científicas, do que o antigo mestre-escola a repetir nas classes um saber já superado.
Não se diga que estou a apresentar observações que somente se aplicam às sociedades afluentes. O caso dos países subdesenvolvidos não é diverso, porque os recursos tecnológicos da propaganda e do anúncio também já lhe chegaram e não lhe será possível repetir a história dos sistemas escolares mas adaptar-se às formas mais recentes da escola de hoje. Está claro que concretamente seu problema é diverso. A sua luta não é ainda para comandar a produtividade, mas para chegar à produtividade. Paradoxalmente, entretanto, o espírito do anúncio e da propaganda lhe chegam antes de haver podido mudar sua estrutura social para se fazer uma sociedade científica de alta produtividade. E, por isto mesmo, o anúncio ainda é mais tragicamente irônico. Somos pela propaganda condicionados para desejar o supérfluo, para atender a necessidades inventadas, antes de haver atendido nossas reais necessidades.
Todas essas considerações nascem de uma atitude de aceitação do progresso científico moderno, de aceitação das terríveis mudanças que este progresso está impondo à vida humana e da crença de que ainda não fizemos em educação o que deveria ser feito para preparar o homem para a época a que foi arrastado pelo seu próprio poder criador. Todo o nosso passado, nossos mais caros preconceitos, nossos hábitos mais queridos, nossa agradável vida paroquial, tudo isto se levanta contra o tumulto e a confusão de uma mudança profunda de cultura, como a que estamos sofrendo. A mocidade contudo está a aceitar esta mudança, é verdade que um tanto passivamente, mas sem nada que lembre a nossa inconformidade. A mudança, todos sabemos, é irreversível. Só conseguiremos restaurar-lhe a harmonia, se conseguirmos construir uma educação que a aceite, a ilumine e a conduza num sentido humano.
O desafio moderno é, sobretudo este: conseguir que todos os homens adquiram a disciplina intelectual de pensamento e estudo que, no passado, conseguimos dar aos poucos especialistas dotados para essa vida intelectual. O conhecimento e a vida adquiriram complexidade tamanha que só uma autêntica disciplina mental poderá ajudá-lo a se servir da ciência, a compreender a vida em sua moderna complexidade e amplitude e a dominá-la e submetê-la a uma ordem humana. Os mestres do futuro terão de ser familiares dos métodos e conquistas da ciência e desde a escola primária iniciar a criança e depois o adolescente na arte sempre difícil e hoje extremamente complexa de pensar objetiva e cientificamente, de utilizar os conhecimentos que a pesquisa lhe está a trazer constantemente e de escolher e julgar os valores, com que há de enriquecer a sua vida neste planeta e no espaço que está em vésperas de conquistar. Reunindo, assim, funções de preceptor e de sacerdote e profundamente integrado na cultura científica, o mestre do futuro será o sal da terra, capaz de ensinar-nos, a despeito da complexidade e confusão modernas, a arte da vida pessoal em uma sociedade extremamente impessoal.

 
[1] Extraído de TEIXEIRA, Anísio. Mestres de amanhã. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, vol. 40, nº 92, out./dez. 1963. P.10-19


Salto para o Futuro: http://www.tvbrasil.org.br/saltoparaofuturo/entrevista.asp?cod_Entrevista=28


Entrevista com Antônio Barbosa Moreira, realizada em: 15/10/2008

Currículo: conhecimento e cultura

Salto – Antonio Flávio, como você define currículo escolar?Antonio Flávio – Esta palavra tem tido uma série de sentidos ao longo dos tempos. Ela foi considerada como sinônimo, praticamente, de conteúdos, depois experiência de aprendizagem, depois ela se referiu a planos. E eu penso que hoje seria interessante nós entendermos currículo como o conjunto de experiências de aprendizagem, organizado pela escola, sobre responsabilidade da escola, que gira em torno do conhecimento escolar, que eu vejo como a matéria-prima do currículo, e que vai contribuir para formar as identidades de nossos estudantes. Penso que essa visão de currículo é suficientemente abrangente para incluir conhecimento escolar, as experiências, a necessidade de planejamento e de organização por parte da escola e, ao mesmo tempo, a importância na formação das identidades.
Salto – Como você analisa a relação entre currículo e sociedade?Antonio Flávio – Um currículo é organizado em um dado momento histórico, numa dada sociedade, e vai refletir aquilo que essa sociedade deseja formar, como sendo o homem educado, a mulher educada, que deseja ter como membro desta sociedade. Consequentemente, ele atende às demandas de grupos que tenham, na sociedade, o poder de definir aquilo que a escola pretende, vai fazer. Por outro lado, é importante também acentuar que o currículo não reflete apenas as demandas da sociedade. Ele também pode contribuir por suas ações, pelos seus efeitos nos estudantes, para efetuar mudanças nessa sociedade. Portanto, é uma via de mão dupla.
Salto – Existe uma conceituação, que sei que não é sua, de currículo flexível, em função dessas demandas da sociedade. Como você vê essa ideia de flexibilização do currículo?Antonio Flávio – Eu acho que ela é importante, e responde, como você diz, às demandas emergentes da sociedade, mas também responde a interesses que surjam do próprio estudante. Diferentes exemplos poderiam ser dados, mas há também situações específicas que possam ocorrer na turma, com um dado grupo de alunos. Há situações que podem ocorrer com um aluno apenas e que, muitas vezes, podem constituir objeto de interesse de todos, e de um trabalho bastante interessante por parte da professora. Eu me lembro, por exemplo, de uma professora de Ciências que comentou sobre o fato de um aluno ter chegado à sala de aula com o joelho machucado e como essa situação deu a ela a oportunidade de desenvolver alguns dos conteúdos que foram importantes para o seu curso.
Salto – Em um dos seus textos, você diz que no fundo de toda teoria de currículo, e há várias teorias sobre currículo, encontra-se uma questão de identidade. Por quê?Antonio Flávio – Porque, veja bem: o aluno passa um período razoável de sua vida na escola. A escola planeja para esse aluno todo um ambiente, no qual ele viverá relações com os seus colegas, com os seus professores; no qual ele ouvirá, muitas vezes, como deve proceder: o que é certo; o que é errado. Ele terá tudo isso reforçado pelas experiências que vai viver, pelas visitas que fará, que a escola organizará para ele, e muito pelos conteúdos que vai aprender. Todos esses aspectos, presentes no processo curricular, afetam este aluno, fazendo com que ele se transforme num dado homem ou numa dada mulher. De uma certa maneira o currículo é um elemento central na definição daquilo que nós somos, daquilo que seremos futuramente. É nesse sentido que o currículo é, sem dúvida, crucial nesta definição das identidades dos nossos alunos. E isso nos obriga a constantemente refletir sobre: que identidades estaríamos formando na escola e que identidade nós desejaríamos, então, formar nesse mundo em que estamos vivendo?
Salto – Quando se discutem propostas curriculares para elaboração de currículos, sempre vem à tona uma questão que me parece ser crucial nesse momento: que conhecimentos devem fazer parte dessa proposta e o que fica de fora? Essa é sempre a grande dúvida que circula pela cabeça dos professores. Como você analisa os processos de seleção dos conteúdos que devem estar presentes nos currículos?Antonio Flávio – Eu acho que a essas perguntas que você mencionou, nós poderíamos acrescentar uma outra: de quem são os conhecimentos usualmente escolhidos? A quem eles beneficiam, e a quem eles prejudicam? Então, essa pergunta é uma das que eu penso que deve contribuir para nortear as decisões que o professor venha a tomar em sua sala de aula em relação aos conhecimentos. Eu diria que é importante que ele, esse professor, selecione conhecimentos relevantes, conhecimentos que contribuam para que o estudante possa se situar bem no seu ambiente mediato, possa ir além desse ambiente mediato, buscando novos horizontes, ampliando, portanto, suas experiências, e compreendendo melhor o mundo em que se situa. E, nesse sentido, se comprometendo também com as transformações no seu ambiente mediato, e na sociedade mais ampla. E eu acrescentaria, por fim, a todas essas considerações, que eu penso que já devem ser objeto de reflexões diárias, a preocupação com o fato de os conhecimentos poderem ser úteis para novas aprendizagens, propiciarem elementos que construam depois pontes para outros assuntos que venham a ser tratados, abordados na sala de aula.
Salto – Quais as principais características de um currículo que contribua de fato para uma Tescola de qualidade, que é o que precisamos nesse momento?Antonio Flávio – Um dos elementos já foi dito aqui: é um currículo flexível, é um currículo que esteja aberto para atender a mudanças ou na sociedade, ou na escola, ou na própria sala de aula; um currículo que proporcione ao aluno uma compreensão mais precisa do mundo em que vive; um currículo que o faça crítico do ambiente cultural em que está inserido, que o ajude a analisar os elementos que o cercam; que o ajude a compreender melhor os artefatos culturais com que ele está habituado a lidar, com os quais ele está familiarizado, como por exemplo: uma novela, um anúncio, um programa de televisão. Então, ele se tornaria crítico dessa cultura, e o currículo o teria ajudado a ter subsídios para essa crítica. E eu penso que há ainda um outro elemento importante a ser trazido, em termos de responder à sua pergunta: quais características um currículo deveria ter? Acho que deve ser um espaço de pesquisa. Um espaço em que professor e alunos procurem juntos compreender problemas, procurem juntos buscar novas aprendizagens, e passem juntos a dominar meios de adquirir novos conhecimentos, novos conteúdos.
Salto – Já que você tocou na questão da relação professor e aluno, diante desse currículo, qual é o papel do professor nesse cenário, para que esse currículo de fato contribua para a melhoria da qualidade da educação?Antonio Flávio – O papel do professor é fundamental. Ele é responsável por uma série de decisões a respeito do currículo. Portanto, ele precisa estar permanentemente refletindo sobre o currículo, sobre os conhecimentos que ele está selecionando, sobre como organizar esses conhecimentos, sobre como melhor trabalhar com esses conhecimentos na sala de aula, que experiências deve organizar, como deve desenvolver o processo de avaliação. Penso que isso tudo já mostre como o professor tem, com certeza, um papel importantíssimo no processo curricular. Ele não é absolutamente alguém que executa. Ele é alguém que reflete, que concebe, e que decide.
Salto – Você quer acrescentar alguma coisa mais sobre essa temática?Antonio Flávio – Acho apenas que poderíamos falar rapidamente sobre a questão de que eu não toquei nas características de um currículo, a ideia de ele estar também levando em conta a diversidade cultural, hoje tão presente no mundo. Acho que isso é importante.
Salto – Você quer falar sobre a necessidade de se incluírem no currículo essas temáticas que estão tão presentes hoje, como as diferenças culturais?Antonio Flávio – Com certeza. Eu penso que nós vivemos, queiramos ou não, numa sociedade plural. Essa pluralidade se manifesta a cada dia. Ela é visível no noticiário, nos conflitos que se estabelecem, ela penetra em todos os espaços. E ela penetra também na sala de aula. Então, eu penso que é importante que todos os que trabalham na escola, todos os que ajudam a construção do currículo, que essas pessoas reflitam que resposta dar na escola a essa diversidade. Como abrir espaço para a pluralidade; como, ao mesmo tempo em que se abre esse espaço, se pode levar o aluno a entender melhor porque certas vozes têm sido privilegiadas e outras não; porque certos grupos sociais têm sido oprimidos, e outros não. É preciso que a escola lhe dê subsídios para que ele contribua para tentar desestabilizar um pouco essas relações de poder, que têm sido responsáveis por tantas injustiças, e por tanta dor para tantas pessoas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Projeto da biblioteca Lúcio Lins - ano 2012




PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA
ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL PROF. DURMEVAL TRIGUEIRO MENDES

Biblioteca de mãos dadas - educadores (as) e educandos (as) interagem com a leitura de histórias e do mundo. 
                                                                                      Autores:
                                                                      Enildo da Paixão Rodrigues;
                                                         Bernadete de Assis;
                                                                                              Dariele Dias Dutra;
                                                                                              Maria Salete Grilo;
                                                                     Carmélia de Lima Galvão; e,
                                                                   Luzinete da Silva Nascimento


APRESENTAÇÃO


O tema biblioteca de mãos dadas com educadores (as) e com educandos (as) para juntos aprenderem a conhecer, a fazer, a viver e a conviver foi escolhido para contextualizar o momento em que a escola, através de seus gestores, especialistas em educação, educadores e funcionários se propõe promover mudanças de concepção, de estratégias e de comportamentos individuais e coletivos, com fins de que sejam alcançados melhores rendimentos e aprendizados de alunos e de professores e também de redirecionar todo o processo de ensino-aprendizagem rumo à educação de qualidade - a educação para cidadania. A biblioteca, como parte deste todo, logicamente, busca aprimorar as suas atividades, se adaptando ao contexto educacional em vivência na unidade de ensino e motivando seus funcionários (as) para se perceberem na condição de verdadeiros educadores e, assim, atuarem como tal.

 A temática desse projeto se coaduna com os quatro pilares da ONU para a educação do século XXI e com todos os documentos da educação brasileira, sejam eles nacionais (Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Base da Educação – LDB, Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, Parâmetros Curriculares Nacionais – PCCNS, Plano Nacional de Educação em Direitos humanos) e municipais (Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino e Diretrizes da Secretaria de Educação para o ano letivo de 2012).

É um plano de ação que vem ao encontro do pensamento dos profissionais que atuam na biblioteca, que se fundamenta no pressuposto de que - educar é preparar para a vida, para o exercício pleno da cidadania, para a prática dos direitos humanos e também para a boa convivência entre homem e natureza.



 Plano de ação que contém: atividades planejadas, justificativa, cronograma e avaliação. Tudo se imbricando, na perspectiva da transversalidade; inter e transdisciplinaridade,  com a finalidade de que no final do ano letivo, sejam obtidos resultados exitosos para os atores envolvidos no processo educacional, especialmente – educandos e educadores. Resultados que devem processualmente avaliados, através de diagnósticos cotidianos e de atos tradicionais, como: testes e provas. Isso por que aos educandos, além das avaliações da escola, submetem-se as da SEDEC, via o Escola Nota Dez e pela.
 Para a biblioteca, o mais importante é fazer despertar no aluno o gosto contínuo pela leitura, seja como forma de entretenimento, seja como instrumento eficiente de pesquisa e de aprendizagem.

TEMA

Biblioteca de mãos dadas com educadores (as) e educandos (as) para juntos aprenderem a conhecer, a fazer, a viver e a conviver.


OBJETIVO GERAL

Motivar os corpos discentes e docentes, assim como familiares e pessoas das comunidades circunvizinhas para perceberem a importância da leitura, enquanto instrumento impulsionador do desenvolvimento cognitivo e de convivência sociocultural de cada ser humano; levando-os a compreender que a biblioteca deve ser um suporte alavancador para que sejam alcançados os objetivos da escola e de quaisquer sistemas que busquem a melhoria da qualidade da educação.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

. exercitar a leitura de textos literários e não literários;
. comparar histórias literárias com a realidade social dos educandos;
. exercer a prática de produção de textos;
. consultar dicionários, atlas, mapas, jornais, revistas e quaisquer outros materiais para estudo e pesquisa e, com isso, aumentar os seus conhecimentos lingüísticos, históricos, geográficos, artísticos e culturais;
.expressar as diversas maneiras de comunicação, utilizando-se de interpretações de histórias literárias de diferentes gêneros textuais.


PÚBLICO – ALVO

Alunos e alunas da escola: do ensino Fundamental, do EJA e do Projvem. Estudantes com faixa etária variando entre 4( quatro) e 60 (sessenta) anos. Obviamente o grande percentual é composto de crianças de adolescentes. Os educados residem nas comunidades situadas no entorno da escola.
Fazem parte do público-alvo também: educadores (as), funcionários e familiares dos alunos do estabelecimento.





JUSTIFICATIVA

Conforme já explicitado na apresentação desse plano de ação, sua elaboração com essa temática deve-se a concepção de que uma biblioteca escolar difere das demais bibliotecas – ela deve interagir sempre com os demais setores da escola, especialmente com educadores, com a perspectiva de colaboração no processo de ensino e de aprendizagem. Além disso, as ações nele contidas consideram também as mudanças pedagógicas, administrativas e culturais propostas pela gestão e pelo corpo técnico – pedagógico a partir do ano letivo de 2012. Transformações que visam resgatar a credibilidade da escola frente às comunidades circunvizinhas e à sociedade pessoense e paraibana e, principalmente, qualificar a educação e o ensino do estabelecimento.

Atividades planejadas

·         Organização de calendário de aulas na biblioteca para os professores do turno da manhã – uma aula por semana para cada turma;
·         Organização de calendário de aulas de Português – Leitura e gêneros textuais, na biblioteca: 01 hora aula por semana;
·         Agendamento de aulas na biblioteca para leitura de professores de outras disciplinas dos três turnos da escola;
·         Definição de uma hora semanal na biblioteca para os (as) professores (as) de língua portuguesa do EJA e do Projovem;
·         Preparação do livro de assinatura de alunos, de professores e do funcionário que atuarem em cada atividade educacional na biblioteca;
·         Planejamento com profissionais, especialistas e gestores para atividades de aulas passeio e extensão escolar;
·         Reunião entre os funcionários da biblioteca mensalmente para avaliar as atividades realizadas e replanejar outras, caso seja necessário;
·         Estabelecimento de parcerias com educadores (ras) envolvidos em outros programas e ou projetos da escola, especialmente com O Mais Educação, o Escola Aberta, o CRER SER, o Saúde Integral, o Educação Para o Trânsito, Sexualidade, Questão de Gênero e Clube de Leitura;
·         Colaboração com os (as) educadores (as) na organização de atividades de extensão;
·         Promoção de palestras, seminários e encontros sobre assuntos ligados aos temas transversais: cidadania, direitos humanos, sexualidade, educação ambiental, saúde integral, população afrodescendente e indígena (etnias) e cuidados com o patrimônio público;
·         Realização de exposição de livros e de outros materiais de leituras verbais e não verbais, como: fotografias e outros elementos iconográficos mensalmente;
·         Estabelecimento de parcerias com o pessoal do laboratório de informática para a realização de pesquisas de textos e outros instrumentos iconográficos que subsidiem os trabalhos educacionais de professores e alunos, bem como de quaisquer pessoas que procurem a biblioteca para leitura e pesquisa;
·         Listagem de alunos (as) que se destacarem nos trabalhos organizados pela biblioteca, entre eles o empréstimo de livros para leitura em domicílio;



·         Participação dos (as) funcionários (as) da biblioteca nos planejamentos e nos cursos de formação realizados pela escola;
·         Oferecimento de condições de estudo e pesquisa aos alunos e aos professores;
·         Exposição de agenda contendo as datas comemorativas e que tenham relação com a socialização de conhecimentos sociais, econômicos, históricos, geográficos e culturais;
·         Empréstimo de livros a alunos e professores da escola – um por vez, com direito de posse por até 08 dias úteis;
·         Premiação sempre que houver condições a educandos (as) que se destacarem em composição de textos e contação de histórias, desde que sejam atividades organizadas pela biblioteca;
·         Reunião para estabelecer a forma de participação de pessoas das comunidades na biblioteca em contação de histórias, recreação, roda de leitura, exposição de livros e outras obras de arte;
·         Escolha de alunos monitores para contribuir com a leitura de outros colegas com faixas etárias abaixo das suas ou que apresentem dificuldades de letramento e/ou de alfabetização;
·         Zelo, organização e preservação dos livros e de quaisquer materiais que componham o patrimônio da biblioteca Lúcio Lins.
·         Colaborar de forma efetiva com a execução do Projeto de leitura da escola: DESPERTANDO PARA A VIDA, ATRAVÉS DA LEITURA.


CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DAS ATIVIDADES


Atividades:
Período de execução
Organização de livro de assinaturas, cadastro de leitor, organização da biblioteca, exposição de livros e de outros materiais de leitura.
Início do ano letivo – primeira quinzena de fevereiro.
Preparação de calendário de atividades de leitura de professores e alunos na biblioteca e primeira exposição de livros.
Segunda quinzena de fevereiro.
Elaboração de projetos de leitura.
Primeira quinzena de fevereiro.
Avaliação dos trabalhos da biblioteca.
Mensalmente.
Participação nos planejamentos da escola.
Mensalmente.
Planejamento e participação em aulas passeio.
Mensalmente, de modo ordinário; e, extraordinariamente, sempre que situações de aprendizagem exigirem.
Planejamento e organização de palestras e seminários.
Sempre que um tema transversal se faça presente no processo educacional da escola.
Confecção e publicação de agendas culturais.
Mensalmente.
Colaboração em eventos transversais e interdisciplinares da escola.
Em conformidade com o calendário estipulado pela escola.
Efetuação das demais tarefas contidas nesse projeto.
Cotidianamente, enquanto função de cada funcionário da biblioteca.


AVALIAÇÃO

Espera-se que no decorrer de cada bimestre letivo a procura pela leitura aumente gradativamente, em proporção geométrica, bem como seja perceptível aos educadores (as) a melhoria no desenvolvimento social e lingüístico de cada aluno-leitor. Quanto aos aspectos sociais, são esperados que os critérios para a boa convivência com os (as) colegas com as e os professores (as) e com as demais pessoas que frequentem a biblioteca e a escola sejam assimilados; e, particularmente, que a prática dos direitos humanos e da cidadania seja essencial ao processo de ensino e de aprendizagem.  
É conveniente esclarecer que as estratégias de avaliação nos trabalhos educacionais na biblioteca diferem daquelas de sala de aula, já que aqui só haverá processo subjetivo, em se observa se as atitudes comportamentais e desempenho do leitor-aluno em cada atividade planejada. É fundamental que durante a avaliação seja observada à evolução do comportamento e de atitudes cidadãs de cada educando e de cada educanda.

RECURSOS HUMANOS


Executores: Enildo da Paixão Rodrigues
                      Bernadete de Assis
                      Maria Salete Grilo
                      Dariele Dias Dutra
                      Carmélia de Lima Galvão
                      Luzinete da Silva Nascimento

Parcerias e apoios:
 Serviço de orientação e psicologia educacional, supervisão escolar; gestão da escola: Ana Lúcia Pedrosa Costa, Maria do Socorro Viana, Maria Elizabeth de Oliveira e Teomary Alves; monitores do laboratório de informática e sala de multimídia.

Materiais documentais:
Livros, jornais, revistas, atlas, mapas, vídeos, fotografias, tiras, charges, observações de situações: humanas, espaciais, sociais e linguísticas nas aulas passeio; e, textos da Web e materiais iconográficos da Rede Mundial de Computadores.

Outros materiais:
Lápis, papeis, máquina fotográfica, aparelho celular, telão, aparelhagem de som, computador, tablete, blogs, agendas, entre outros.



REFERÊNCIAS

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, l998;
BRASIL. Estatuto da Criança e do adolescente/ Lei Federal 8.069/1990. Presidência da República Federativa do Brasil/Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Governo do Estado da Paraíba/CEDECA-PB/SEDH, João Pessoa, 2009;
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, Ediouro, 1988. PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA. Proposta Curricular da rede municipal de ensino: UMA      CONSTRUÇÃO COLETIVA – Ensino Fundamental (5ª ao 8ª série). SEDEC, João Pessoa, 2004.
            PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA. Diretrizes 2011, SEDEC/DGC, João Pessoa, 2011.