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MESTRES DE AMANHÃ [1]
Anísio
Teixeira
Creio,
no exame do tema que nos ocupa, que não me cumpre exprimir apenas ansiedades e
esperanças a respeito dos mestres de amanhã, mas procurar antecipar, em face
das condições e da situação de hoje, o que poderá ser o mestre dos dias
vindouros. E entre os mestres buscarei, sobretudo, caracterizar os mestres do
ensino comum, do ensino destinado a todos, ou seja, na fase contemporânea, os
mestres da escola primária e da escola secundária. É o mestre da escola elementar
e da escola secundária que está em crise e se vê mais profundamente atingido e
compelido a mudar pelas condições dos tempos presentes. E por quê? Porque
estamos entrando em uma fase nova da civilização chamada industrial, com a
explosão contemporânea dos conhecimentos, com o desenvolvimento da tecnologia e
com a extrema complexidade conseqüente da sociedade moderna.
Na
realidade, o nosso esforço pela educação do homem, até muito recentemente, não
chegou a ultrapassar os objetivos de prepará-lo para uma sociedade muito mais
singela do que a sociedade moderna. Tomando o exemplo das sociedades
desenvolvidas, que chegaram, como no caso da América do Norte, a oferecer
educação a todos até os dezoito anos, a escola elementar e a secundária
constituiram-se em escolas intelectualmente desambiciosas, destinadas a
oferecer uma educação capaz de formar os jovens para o convívio político,
social e econômico de uma sociedade de trabalho competitivo, mas ao que se
acreditava relativamente singela e homogênea. A criação mais original da
sociedade americana nesse campo foi a da comprehensive school de nível
secundário, com a flexibilidade dos seus currículos e a concentração na mesma
escola de alunos os mais diversos nas aptidões, nas opções de estudo, na
inteligência e nos objetivos escolares. Esta escola, que resistiu ao severo
estudo e análise de Conant, representa, na realidade, uma inovação em seus
aspectos fundamentais. Constitui uma antecipação, se considerarmos que sua
filosofia importa reconhecer certa unidade da cultura contemporânea, a despeito
de sua aparente diversidade, e a equivalência das diferentes carreiras a que se
iriam devotar os seus alunos.
Correta,
assim, na sua estrutura, não creio, entretanto, que tenha conseguido realmente
oferecer uma educação à altura do desafio dos nossos tempos. O que os nossos
tempos pediam era uma forte educação intelectual para o jovem moderno, a
despeito das diferentes aptidões que possuísse, dos diferentes interesses que
revelasse e das diferentes carreiras a que se destinasse. A escola compreensiva
reuniu todos os jovens na mesma escola e, para lhes dar a impressão de uma
educação comum, diluiu o conteúdo dos diferentes programas, a fim de lhes
emprestar uma equivalência, que só por essa diluição se fazia verdadeira.
Entrementes,
que se passava com a civilização contemporânea? Entrava ela em fase de
desenvolvimento científico até certo ponto inesperado, levando-a na indústria à
automação, na vida econômica a um grau espantoso de opulência e na vida
política e social a desenvolvimento de meios de comunicação de tal extensão e
vigor que os órgãos de informação e de recreação se viram subitamente com o
poder de condicionar mentalmente o indivíduo, transformando-o em joguete das
forças de propaganda e algo de passivo no campo da recreação e do prazer. O
desenvolvimento contemporâneo no campo dos processos de comunicação já foi
comparado ao da descoberta da imprensa, que gerou também, conforme sabemos, um
período de certa degradação na difusão do conhecimento semelhante ao que se observa
hoje com a utilização dos meios de comunicação em massa. A verdade é que cada
meio novo de comunicação, ao surgir, não produz imediatamente os resultados
esperados, mas, muitas vezes, a difusão do que há de menos interessante, embora
mais aparentemente popular, na cultura comum. Não é apenas isto. Cada meio novo
de comunicação alarga o espaço dentro do qual vive o homem e torna mais
impessoal a comunicação, exigindo, em rigor, do cérebro humano compreensão mais
delicada do valor, do significado e das circunstâncias em que a nova
comunicação lhe é feita.
Se
partirmos do período da simples comunicação oral de pessoa a pessoa que se
conheçam mutuamente no pequeno meio local, para a comunicação com o estranho e
depois para a comunicação escrita ainda entre pessoas que se conheçam
(correspondência) e, a seguir para a comunicação escrita pelo texto e livro e
pelo jornal, ainda locais, e, afinal, pelo telégrafo, pelo telefone, pelo
cinema, pelo rádio, pela televisão, pela comunicação estendida a todo o planeta
que faz subitamente o homem comum não apenas o habitante de sua rua, sua
cidade, seu Estado, sua nação, mas literalmente de todo o planeta e
participante de uma cultura não apenas local e nacional, mas mundial, podemos
ver e sentir o grau de cultivo mental necessário para lhe ser possível submeter
a informação, que lhe é assim trazida de todo o mundo, ao crivo de sua própria
mente, a fim de compreendê-la e absorvê-la com o mesmo sentido de integração
com que recebia a comunicação local e pessoal do seu período paroquial de vida.
Não somente, a comunicação se fez assim universal no espaço, como também, com
os novos recursos técnicos, se estendeu através do tempo, podendo o homem em
uma simples sessão de cinema visualizar as civilizações ao longo da história,
como sucede nos grandes espetáculos modernos em que a cultura antiga é
apresentada de forma nem sequer sonhada pelos mais ambiciosos historiadores do
passado.
Toda
essa imensa revolução dos meios de comunicação não poderia deixar de criar, em
sua fase inicial, antes a confusão do que o esclarecimento, sobretudo porque
esses meios não foram sequer conservados na posse dos grupos responsáveis pela
educação do homem, como a escrita e a imprensa, por exemplo, de certo modo se
mantiveram, mas se fizeram recursos para a propaganda e a diversão
comercializada, quando não para o condicionamento político e ideológico do
homem.
A
educação para este período de nossa civilização ainda está para ser concebida e
planejada e, depois disto, para executá-la, será preciso verdadeiramente um
novo mestre, dotado de grau de cultura e de treino que apenas começamos a
imaginar. Desde que surgiu a cultura escrita na história humana jamais faltaram
guardiãs, tanto quanto possível, competentes, para conservá-la e defender-lhe,
por vezes excessivamente, a sua pureza. Quando afinal surgiram as
universidades, o engenho humano tudo fez para resguardar-lhes a liberdade e a
independência, a fim de que o saber humano pelos que soubessem fosse conservado
e cultivado. Ao ampliar-se a universidade pelas escolas de cultura comum para
todos, o preparo do mestre - ou seja, o guardião e transmissor da cultura - se
fez até o começo do nosso século com razoável proficiência. Tanto quanto
possível era ele o transmissor de uma cultura cuja significação e limites
conhecia e, sobretudo, era o mais importante transmissor dessa cultura, estando
em seu poder comandar até certo ponto a formação do educando.
Com
a expansão dos meios de comunicação, o mestre perdeu esse antigo poder,
passando a ser apenas um contribuinte para a formação do aluno, que recebe, em
relativa desordem, por esses novos meios de comunicação, imprensa, rádio e
televisão, massa incrível de informações e sugestões provenientes de uma
civilização agitada por extrema difusão cultural e em acelerado estado de
mudança. A Universidade conservou, a despeito de tudo, um certo controle dessa
cultura extremamente difusa e em explosiva mudança, graças à alta qualidade dos
seus professores e à vigorosa institucionalização de sua independência e sua
liberdade, mas as escolas de cultura geral do homem comum ficaram com os
mestres preparados para ministrar a cultura muito mais simples e paroquial do
século passado. Bem sei que o preparo destes mestres se faz cada vez mais longo
e nos países mais desenvolvidos já está francamente exigindo graus
universitários. A tarefa, entretanto, é bem mais difícil e complexa.
Na
Inglaterra, fez-se uma experiência de ensino universitário - o colégio
universitário de Keele, que me parece merecer aqui uma referência. Como
sabemos, o University College of North Staffordshire surgiu em 1950 com a
intenção de criar um tipo novo de ensino universitário. Não irei descrever em
detalhe a experiência de Keele, mas apenas comentar o primeiro ano de estudos
desse novo colégio universitário, que constitui um exemplo do tipo global de
cultura que seria necessário ao homem moderno. O propósito desse ano inicial,
chamado de fundamentos, foi o de rever, discutir e ilustrar os fundamentos, a
herança, as conquistas e os problemas da civilização ocidental. Tomo do
relatório sobre essa experiência a seguinte formulação dos objetivos desse
primeiro ano de estudos. O curso começa "levando os estudantes, pela
contemplação dos céus, à luz da astronomia e da física moderna, a um sentimento
de espanto, maravilha e beleza. Não somente o estudante de arte, mas também o
cientista vê sob essa nova luz a fé e os métodos do físico, numa súmula do
progresso científico a partir de Kepler, Galileu e Newton até as excitantes
especulações da moderna cosmologia. Acompanhando os passos da inquirição humana
desde a indagação de Olbert "Por que é a noite escura?" até a teoria
da criação contínua, sentir-se-á o estudante a reproduzir essa extraordinária
aventura da mente humana no seu esforço de imaginar e descobrir a natureza do
universo. Segue-se o geólogo com a descrição da história da terra durante os
3.000.000.000 de anos ou mais que antecederam o aparecimento do homem. O
geógrafo, depois, estuda o clima e os fatores do meio ambiente. O biólogo
introduz os seres vivos e analisa as teorias da origem e a evolução do homem.
Já aí os estudantes terão atingido a dose de humildade suficiente para apreciar
as conquistas das primeiras civilizações, que lhe serão apresentadas pelos
professores de saber clássico, pelo filósofo, pelo teólogo e pelo historiador.
Daí prossegue o curso introduzindo o estudante na consideração das
característicos e dos problemas da civilização ocidental numa era industrial,
conforme os vêem os historiadores, os geógrafos, os cientistas políticos, os
educadores e os economistas. A perspectiva já então é a dos dias de hoje,
projetada desse fundo histórico, a fim de levar o estudante a sentir e apreciar
os muitos e sérios problemas que hoje nos defrontam. A terceira parte do curso
se detém nas realizações criadoras do homem - a língua, a literatura, as artes,
a música, a arquitetura, as matemáticas, as ciências e a tecnologia e, por fim,
o próprio homem e sua crença serão estudados por filósofos, psicólogos,
sociólogos, teólogos e biólogos."
Atrevo-me
a considerar que este deverá ser amanhã o programa de educação comum do homem
moderno e não apenas, como em Keele, a introdução aos estudos de nível
superior. Com os recursos técnicos modernos, estamos em condições de oferecer a
cada jovem, antes de terminar o nível secundário de estudos um quadro da
cultura contemporânea, desde os seus primórdios até os problemas e
complexidades dos dias presentes. Não teremos todos os professores
especializados com que conta Keele para a sua experiência, mas, com os recursos
da televisão, do cinema e do disco podemos levar todos os jovens a ver e ouvir,
ou, pelo menos, a ouvir, esses especialistas e, a seguir, com o professor da
Classe, desdobrar, discutir e completar as lições que grandes mestres desse
modo lhe tenham oferecido. Mesmo assim, entretanto, será imensa a tarefa do
professor secundário e grande deve ser o preparo, para que possa conduzir o
jovem nessa tentativa de dar à sua cultura básica a largueza, a segurança e a
perspectiva de uma visão global do esforço do homem sobre a terra.
Os
meios modernos de comunicação fizeram do nosso planeta um pequenino planeta e
dos seus habitantes vizinhos uns dos outros. Por outro lado, as forças do
desenvolvimento também nos aproximaram e criaram problemas comuns para o homem
contemporâneo. Tudo está a indicar que não estamos longe de formas
internacionais de governo. Se a isto juntarmos a explosão de conhecimentos e as
mudanças que os novos conhecimentos, com as suas conseqüências tecnológicas,
estão a trazer, podemos imaginar até que ponto as forças do costume, dos
hábitos e das velhas crenças e preconceitos vão ser destruídas e quanto vai o
homem depender de sua cultura formal e consciente, de seu conhecimento
intelectual, simbólico e indireto, para se conduzir dentro da nova e
desmesurada amplitude de sua vida pessoal. São, portanto, de assustar as
responsabilidades que aguardam o mestre de amanhã. Sabemos o que se conseguiu,
no passado, com a educação de grupos seletos de estudantes. A nossa tarefa é
hoje muito mais difícil. Primeiro, porque precisamos fazer algo de semelhante
para todos e não apenas para alguns e segundo porque já não estaremos
ministrando a cultura clássica, mas a complexa, variada e, sob muitos aspectos,
abstrusa cultura científica moderna.
Diante
dos novos recursos tecnológicos, ouso crer ser possível a completa reformulação
dos objetivos da cultura elementar e secundária do homem de hoje e, em
conseqüência, de alterar a formação do mestre para essa sua nova tarefa. Que
haverá já hoje que nos possa sugerir o que poderá vir a ser a escola de amanhã?
Perdoem-me que lhes lembre as transformações operadas nos grandes
empreendimentos que dirigem a informação e as diversões modernas: a imprensa, o
cinema, o rádio e a televisão. Entregues à iniciativa privada e dominada pelo
espírito de competição, o jornal, a revista, a produção de filmes e as estações
de rádio e de televisão tornaram-se grandes serviços técnicos e desenvolveram
tipos de profissionais especializados, dotados de extrema virtuosidade, que se
empenharam em se pôr à altura dos recursos tecnológicos e do grau de expansão
da cultura moderna. Algo de semelhante será o que irá suceder com a escola, com
a classe e com o professor. Se a biblioteca, de certo modo, já fizera do mestre
um condutor dos estudos do aluno e não propriamente o transmissor da cultura,
os novos recursos tecnológicos e os meios audiovisuais irão transformar o
mestre no estimulador e assessor do estudante, cuja atividade de aprendizagem
deve guiar, orientando-o em meio às dificuldades da aquisição das estruturas e
modos de pensar fundamentais da cultura contemporânea de base científica em
seus aspectos físicos e humanos. Mais do que o conteúdo do conhecimento em
permanente expansão, cabe-lhe, com efeito, ensinar ao jovem aprendiz a aprender
os métodos de pensar das ciências físico-matemáticas, biológicas e sociais, a
fim de habilitá-lo a fazer de toda a sua vida uma vida de instrução e estudos.
Talvez
se possa dizer, embora represente uma grande simplificação, que a educação até
há pouco tempo oferecida pela escola não passou, no nível elementar, da
aprendizagem das artes de ler e escrever, como instrumento de comunicação e de
trabalho, seguida de uma iniciação medíocre à vida cívica e política de sua
nação; no nível secundário, do preparo do adolescente para as ocupações que
requerem certo nível técnico e para a continuação dos seus estudos em nível
superior; e, no nível superior, do preparo do profissional de nível superior e
o do scholar ou pesquisador. Fora disto, há que notar que as
universidades se constituíram elas próprias centros de pesquisa, de descoberta
do conhecimento e de sua expansão. Ora, somente este grupo último de
pesquisadores está efetivamente de posse dos instrumentos e dos objetivos da
cultura científica em que estamos imersos e que nos conduz, sem dela termos
real e efetiva consciência. O próprio scholar e pesquisador, embora seja
o maior contribuinte dessa cultura moderna, só raramente tem dela consciência
adequada, pois o grau de especialização do seu trabalho o obriga a tal
concentração de esforço e de interesse, que lhe dificulta se não impede a visão
global dessa cultura. O fato, contudo de estar mais empenhado em descobrir, em
aumentar o saber, do que no saber existente propriamente dito, fá-lo o que há de
mais próximo em nossa sociedade do que deveria ser cada um dos membros dessa
sociedade. Longe de mim julgar possível que cada um de nós venha a ser um
pesquisador no sentido acadêmico. Nem seria possível, nem resolveria a
dificuldade da sociedade contemporânea.
De
certo modo, o que estou a insinuar é talvez até mais amplo, embora não me
pareça tão difícil. Se a experiência de Keele pode constituir um exemplo do que
se deveria fazer para dar ao cidadão do nosso tempo a weltanschauung da
cultura contemporânea, convém recordar que isto representaria somente a
aquisição de uma visão adequada ao nosso tempo. Embora extremamente importante,
esta visão não lhe bastará, se dela não emergir a atitude e o propósito
profundos de se fazer um eterno estudante, cujo interesse permanente e vivo
seja o de aprender sempre e mais. E nisto lembrará ele o pesquisador. Mas,
enquanto este é um profissional empenhado em um pequeno campo de conhecimento e
devotado a ampliá-lo, o cidadão comum é um homem comum empenhado em compreender
e em agir cada vez mais lucidamente e mais eficientemente em sua ocupação e em
sua vida global, pois lhe cumpre sentir-se responsável pela sua sociedade.
Acaso
já refletimos que, se considerarmos utópica essa aspiração, teremos lavrado a
nossa condenação à civilização científica que o homem está criando, mas será
incapaz de dirigir e comandar? O que nos leva a considerar utópica esta
imaginada integração do homem com a sua criação científica é a situação ainda
dominante na educação oferecida pela escola.
H.
G. Wells, um dos reconhecidos profetas dos primeiros tempos de nosso século,
proclamou, na década dos vinte, que nos achávamos então em um páreo entre
educação e catástrofe. Já na outra década venceu a catástrofe, de que somente
agora parece vamos emergindo. Nosso otimismo, entretanto, não pode ser grande,
pois, se sentimos nos entendimentos recentes um alvorecer de sabedoria
política, o que por certo nos conforta, por outro lado, no campo da educação,
cumpre-nos registrar apenas alguns significativos progressos no preparo de
novos cientistas. Na educação comum do homem comum os progressos são os mais
modestos. O homem comum está caminhando para ser o escravo como o entendia
Aristóteles, ou seja, o homem que está na sociedade, mas não é da
sociedade. O progresso científico está na tela e conduz o homem nenhum de nós
sabe para onde. Ou melhor, todos sabemos, pois ninguém desconhece que, se a
educação é cada vez mais fraca, o anúncio e a propaganda são cada vez mais
fortes e nossa sociedade - sobretudo nos países em que já se fez afluente - é
uma sociedade cujo objetivo se reduz ao de consumir cada vez maiores
quantidades de bens materiais. Conseguimos condicionar o homem para essa
carreira de consumo, inventando necessidades e lançando-o num delírio de busca
ilimitada de excitação e falsos bens materiais.
Ora,
se o anúncio logrou obter isto, foi porque os meios de influir e condicionar o
homem se fizeram extremamente eficazes. Não será isto uma razão para não
considerar utópico o nosso desejo de formar um homem capaz de ser responsável
pela sua sociedade e não o seu joguete, ou o seu escravo no sentido
aristotélico?
Para
isto, ouso pensar, o problema consistiria em formar um mestre, esse mestre de
amanhã, que fosse um pouco do que já são hoje certos jornalistas de revistas e
páginas científicas, um pouco dos chamados por vezes injustamente
popularizadores da ciência, um pouco dos cientistas que chegaram a escrever de
modo geral e humano sobre a ciência, um pouco dos autores de enciclopédias e
livros de referência e, ao mesmo tempo, mais do que tudo isto. O mestre de
amanhã teria, com efeito, de ser treinado para ensinar basicamente as
disciplinas do pensamento científico, ou seja, a disciplina do pensamento
matemático, a do pensamento experimental, a do pensamento biológico e a do
pensamento das ciências sociais, e com fundamento nessa instrumentação da
inteligência contribuir para que o homem ordinário se faça um aprendiz com o
desejo de continuar sempre aprendendo, pois sua cultura não só é intrinsecamente
dinâmica, mas está constantemente a mudar-lhe a vida e a obrigá-lo a novos e
delicados ajustamentos.
Por
que não será impossível este mestre? Porque são extraordinários os recursos
tecnológicos que terá para se fazer um mestre da civilização científica,
podendo para isto utilizar o cinema como forma descritiva e narrativa e a
televisão como forma de acesso a mestres maiores que ele. O mestre seria algo
como um operador dos recursos tecnológicos modernos para a apresentação e o
estudo da cultura moderna, e como estaria, assim, rodeado e envolvido pelo
equipamento e pela tecnologia produzida pela ciência, não lhe seria difícil
ensinar o método e a disciplina intelectual do saber que tudo isso produziu e
continua a produzir. A sua escola de amanhã lembrará muito mais um laboratório,
uma oficina, uma estação de televisão do que a escola de ontem e ainda de hoje.
Entre as coisas mais antigas, lembrará muito mais uma biblioteca e um museu do
que o tradicional edifício de salas de aulas. E, como intelectual, o mestre de
amanhã, nesse aspecto, lembrará muito mais o bibliotecário apaixonado pela sua
biblioteca, o conservador de museu apaixonado pelo seu museu e, no sentido mais
moderno, o escritor de rádio, de cinema ou de televisão apaixonado pelos seus
assuntos, o planejador de exposições científicas, do que o antigo mestre-escola
a repetir nas classes um saber já superado.
Não
se diga que estou a apresentar observações que somente se aplicam às sociedades
afluentes. O caso dos países subdesenvolvidos não é diverso, porque os recursos
tecnológicos da propaganda e do anúncio também já lhe chegaram e não lhe será
possível repetir a história dos sistemas escolares mas adaptar-se às formas
mais recentes da escola de hoje. Está claro que concretamente seu problema é diverso.
A sua luta não é ainda para comandar a produtividade, mas para chegar à
produtividade. Paradoxalmente, entretanto, o espírito do anúncio e da
propaganda lhe chegam antes de haver podido mudar sua estrutura social para se
fazer uma sociedade científica de alta produtividade. E, por isto mesmo, o
anúncio ainda é mais tragicamente irônico. Somos pela propaganda condicionados
para desejar o supérfluo, para atender a necessidades inventadas, antes de
haver atendido nossas reais necessidades.
Todas
essas considerações nascem de uma atitude de aceitação do progresso científico
moderno, de aceitação das terríveis mudanças que este progresso está impondo à
vida humana e da crença de que ainda não fizemos em educação o que deveria ser
feito para preparar o homem para a época a que foi arrastado pelo seu próprio
poder criador. Todo o nosso passado, nossos mais caros preconceitos, nossos
hábitos mais queridos, nossa agradável vida paroquial, tudo isto se levanta
contra o tumulto e a confusão de uma mudança profunda de cultura, como a que
estamos sofrendo. A mocidade contudo está a aceitar esta mudança, é
verdade que um tanto passivamente, mas sem nada que lembre a nossa
inconformidade. A mudança, todos sabemos, é irreversível. Só conseguiremos
restaurar-lhe a harmonia, se conseguirmos construir uma educação que a aceite,
a ilumine e a conduza num sentido humano.
O
desafio moderno é, sobretudo este: conseguir que todos os homens adquiram a
disciplina intelectual de pensamento e estudo que, no passado, conseguimos dar
aos poucos especialistas dotados para essa vida intelectual. O conhecimento e a
vida adquiriram complexidade tamanha que só uma autêntica disciplina mental
poderá ajudá-lo a se servir da ciência, a compreender a vida em sua moderna
complexidade e amplitude e a dominá-la e submetê-la a uma ordem humana. Os
mestres do futuro terão de ser familiares dos métodos e conquistas da ciência e
desde a escola primária iniciar a criança e depois o adolescente na arte sempre
difícil e hoje extremamente complexa de pensar objetiva e cientificamente, de
utilizar os conhecimentos que a pesquisa lhe está a trazer constantemente e de
escolher e julgar os valores, com que há de enriquecer a sua vida neste planeta
e no espaço que está em vésperas de conquistar. Reunindo, assim, funções de
preceptor e de sacerdote e profundamente integrado na cultura científica, o
mestre do futuro será o sal da terra, capaz de ensinar-nos, a despeito da
complexidade e confusão modernas, a arte da vida pessoal em uma sociedade
extremamente impessoal.
[1]
Extraído de
TEIXEIRA, Anísio. Mestres de amanhã. Revista Brasileira de Estudos
Pedagógicos. Rio de Janeiro, vol. 40, nº 92, out./dez. 1963. P.10-19
Salto para o Futuro: http://www.tvbrasil.org.br/saltoparaofuturo/entrevista.asp?cod_Entrevista=28
Entrevista com Antônio Barbosa Moreira, realizada em:
15/10/2008
Currículo: conhecimento e cultura
Salto – Antonio Flávio, como você define
currículo escolar?Antonio Flávio – Esta palavra tem tido uma
série de sentidos ao longo dos tempos. Ela foi considerada como sinônimo,
praticamente, de conteúdos, depois experiência de aprendizagem, depois ela se
referiu a planos. E eu penso que hoje seria interessante nós entendermos
currículo como o conjunto de experiências de aprendizagem, organizado pela
escola, sobre responsabilidade da escola, que gira em torno do conhecimento
escolar, que eu vejo como a matéria-prima do currículo, e que vai contribuir
para formar as identidades de nossos estudantes. Penso que essa visão de
currículo é suficientemente abrangente para incluir conhecimento escolar, as
experiências, a necessidade de planejamento e de organização por parte da
escola e, ao mesmo tempo, a importância na formação das identidades.
Salto – Como você analisa a relação entre
currículo e sociedade?Antonio Flávio – Um currículo é
organizado em um dado momento histórico, numa dada sociedade, e vai refletir
aquilo que essa sociedade deseja formar, como sendo o homem educado, a mulher
educada, que deseja ter como membro desta sociedade. Consequentemente, ele
atende às demandas de grupos que tenham, na sociedade, o poder de definir
aquilo que a escola pretende, vai fazer. Por outro lado, é importante também
acentuar que o currículo não reflete apenas as demandas da sociedade. Ele
também pode contribuir por suas ações, pelos seus efeitos nos estudantes, para
efetuar mudanças nessa sociedade. Portanto, é uma via de mão dupla.
Salto – Existe uma conceituação, que sei que não
é sua, de currículo flexível, em função dessas demandas da sociedade. Como você
vê essa ideia de flexibilização do currículo?Antonio Flávio –
Eu acho que ela é importante, e responde, como você diz, às demandas emergentes
da sociedade, mas também responde a interesses que surjam do próprio estudante.
Diferentes exemplos poderiam ser dados, mas há também situações específicas que
possam ocorrer na turma, com um dado grupo de alunos. Há situações que podem
ocorrer com um aluno apenas e que, muitas vezes, podem constituir objeto de
interesse de todos, e de um trabalho bastante interessante por parte da
professora. Eu me lembro, por exemplo, de uma professora de Ciências que
comentou sobre o fato de um aluno ter chegado à sala de aula com o joelho
machucado e como essa situação deu a ela a oportunidade de desenvolver alguns
dos conteúdos que foram importantes para o seu curso.
Salto – Em um dos seus textos, você diz que no
fundo de toda teoria de currículo, e há várias teorias sobre currículo,
encontra-se uma questão de identidade. Por quê?Antonio Flávio –
Porque, veja bem: o aluno passa um período razoável de sua vida na escola. A
escola planeja para esse aluno todo um ambiente, no qual ele viverá relações
com os seus colegas, com os seus professores; no qual ele ouvirá, muitas vezes,
como deve proceder: o que é certo; o que é errado. Ele terá tudo isso reforçado
pelas experiências que vai viver, pelas visitas que fará, que a escola
organizará para ele, e muito pelos conteúdos que vai aprender. Todos esses
aspectos, presentes no processo curricular, afetam este aluno, fazendo com que
ele se transforme num dado homem ou numa dada mulher. De uma certa maneira o
currículo é um elemento central na definição daquilo que nós somos, daquilo que
seremos futuramente. É nesse sentido que o currículo é, sem dúvida, crucial
nesta definição das identidades dos nossos alunos. E isso nos obriga a
constantemente refletir sobre: que identidades estaríamos formando na escola e
que identidade nós desejaríamos, então, formar nesse mundo em que estamos
vivendo?
Salto – Quando se discutem propostas curriculares
para elaboração de currículos, sempre vem à tona uma questão que me parece ser
crucial nesse momento: que conhecimentos devem fazer parte dessa proposta e o
que fica de fora? Essa é sempre a grande dúvida que circula pela cabeça dos
professores. Como você analisa os processos de seleção dos conteúdos que devem
estar presentes nos currículos?Antonio Flávio – Eu acho que a
essas perguntas que você mencionou, nós poderíamos acrescentar uma outra: de
quem são os conhecimentos usualmente escolhidos? A quem eles beneficiam, e a
quem eles prejudicam? Então, essa pergunta é uma das que eu penso que deve
contribuir para nortear as decisões que o professor venha a tomar em sua sala
de aula em relação aos conhecimentos. Eu diria que é importante que ele, esse
professor, selecione conhecimentos relevantes, conhecimentos que contribuam
para que o estudante possa se situar bem no seu ambiente mediato, possa ir além
desse ambiente mediato, buscando novos horizontes, ampliando, portanto, suas
experiências, e compreendendo melhor o mundo em que se situa. E, nesse sentido,
se comprometendo também com as transformações no seu ambiente mediato, e na
sociedade mais ampla. E eu acrescentaria, por fim, a todas essas considerações,
que eu penso que já devem ser objeto de reflexões diárias, a preocupação com o
fato de os conhecimentos poderem ser úteis para novas aprendizagens,
propiciarem elementos que construam depois pontes para outros assuntos que
venham a ser tratados, abordados na sala de aula.
Salto – Quais as principais características de um
currículo que contribua de fato para uma Tescola de qualidade, que é o que
precisamos nesse momento?Antonio Flávio – Um dos elementos já
foi dito aqui: é um currículo flexível, é um currículo que esteja aberto para
atender a mudanças ou na sociedade, ou na escola, ou na própria sala de aula;
um currículo que proporcione ao aluno uma compreensão mais precisa do mundo em
que vive; um currículo que o faça crítico do ambiente cultural em que está
inserido, que o ajude a analisar os elementos que o cercam; que o ajude a
compreender melhor os artefatos culturais com que ele está habituado a lidar,
com os quais ele está familiarizado, como por exemplo: uma novela, um anúncio,
um programa de televisão. Então, ele se tornaria crítico dessa cultura, e o
currículo o teria ajudado a ter subsídios para essa crítica. E eu penso que há
ainda um outro elemento importante a ser trazido, em termos de responder à sua
pergunta: quais características um currículo deveria ter? Acho que deve ser um
espaço de pesquisa. Um espaço em que professor e alunos procurem juntos
compreender problemas, procurem juntos buscar novas aprendizagens, e passem
juntos a dominar meios de adquirir novos conhecimentos, novos conteúdos.
Salto – Já que você tocou na questão da relação
professor e aluno, diante desse currículo, qual é o papel do professor nesse
cenário, para que esse currículo de fato contribua para a melhoria da qualidade
da educação?Antonio Flávio – O papel do professor é
fundamental. Ele é responsável por uma série de decisões a respeito do
currículo. Portanto, ele precisa estar permanentemente refletindo sobre o
currículo, sobre os conhecimentos que ele está selecionando, sobre como
organizar esses conhecimentos, sobre como melhor trabalhar com esses
conhecimentos na sala de aula, que experiências deve organizar, como deve
desenvolver o processo de avaliação. Penso que isso tudo já mostre como o
professor tem, com certeza, um papel importantíssimo no processo curricular.
Ele não é absolutamente alguém que executa. Ele é alguém que reflete, que
concebe, e que decide.
Salto – Você quer acrescentar alguma coisa mais
sobre essa temática?Antonio Flávio – Acho apenas que poderíamos
falar rapidamente sobre a questão de que eu não toquei nas características de
um currículo, a ideia de ele estar também levando em conta a diversidade
cultural, hoje tão presente no mundo. Acho que isso é importante.
Salto – Você quer falar sobre a necessidade de se
incluírem no currículo essas temáticas que estão tão presentes hoje, como as
diferenças culturais?Antonio Flávio – Com certeza. Eu penso que
nós vivemos, queiramos ou não, numa sociedade plural. Essa pluralidade se
manifesta a cada dia. Ela é visível no noticiário, nos conflitos que se
estabelecem, ela penetra em todos os espaços. E ela penetra também na sala de
aula. Então, eu penso que é importante que todos os que trabalham na escola,
todos os que ajudam a construção do currículo, que essas pessoas reflitam que
resposta dar na escola a essa diversidade. Como abrir espaço para a
pluralidade; como, ao mesmo tempo em que se abre esse espaço, se pode levar o
aluno a entender melhor porque certas vozes têm sido privilegiadas e outras
não; porque certos grupos sociais têm sido oprimidos, e outros não. É preciso
que a escola lhe dê subsídios para que ele contribua para tentar desestabilizar
um pouco essas relações de poder, que têm sido responsáveis por tantas
injustiças, e por tanta dor para tantas pessoas.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Projeto da biblioteca Lúcio Lins - ano 2012
PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA
ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL PROF. DURMEVAL TRIGUEIRO MENDES
Biblioteca de
mãos dadas - educadores (as) e educandos (as) interagem com a leitura de
histórias e do mundo.
Autores:
Autores:
Enildo da Paixão Rodrigues;
Bernadete de Assis;
Dariele Dias Dutra;
Maria Salete Grilo;
Carmélia de Lima Galvão; e,
Luzinete da Silva Nascimento
Luzinete da Silva Nascimento
APRESENTAÇÃO
O tema
biblioteca de mãos dadas com educadores (as) e com educandos (as) para juntos
aprenderem a conhecer, a fazer, a viver e a conviver foi escolhido para
contextualizar o momento em que a escola, através de seus gestores,
especialistas em educação, educadores e funcionários se propõe promover
mudanças de concepção, de estratégias e de comportamentos individuais e
coletivos, com fins de que sejam alcançados melhores rendimentos e aprendizados
de alunos e de professores e também de redirecionar todo o processo de
ensino-aprendizagem rumo à educação de qualidade - a educação para cidadania. A
biblioteca, como parte deste todo, logicamente, busca aprimorar as suas
atividades, se adaptando ao contexto educacional em vivência na unidade de
ensino e motivando seus funcionários (as) para se perceberem na condição de
verdadeiros educadores e, assim, atuarem como tal.
A temática desse projeto se coaduna com os
quatro pilares da ONU para a educação do século XXI e com todos os documentos
da educação brasileira, sejam eles nacionais (Constituição Federal, Lei de
Diretrizes e Base da Educação – LDB, Estatuto da Criança e do Adolescente -
ECA, Parâmetros Curriculares Nacionais – PCCNS, Plano Nacional de Educação em
Direitos humanos) e municipais (Proposta Curricular da Rede Municipal de Ensino
e Diretrizes da Secretaria de Educação para o ano letivo de 2012).
É um plano de
ação que vem ao encontro do pensamento dos profissionais que atuam na
biblioteca, que se fundamenta no pressuposto de que - educar é preparar para a
vida, para o exercício pleno da cidadania, para a prática dos direitos humanos
e também para a boa convivência entre homem e natureza.
Plano de ação que contém: atividades
planejadas, justificativa, cronograma e avaliação. Tudo se imbricando, na
perspectiva da transversalidade; inter e transdisciplinaridade, com a finalidade de que no final do ano
letivo, sejam obtidos resultados exitosos para os atores envolvidos no processo
educacional, especialmente – educandos e educadores. Resultados que devem
processualmente avaliados, através de diagnósticos cotidianos e de atos
tradicionais, como: testes e provas. Isso por que aos educandos, além das
avaliações da escola, submetem-se as da SEDEC, via o Escola Nota Dez e pela.
Para a biblioteca, o mais importante é fazer
despertar no aluno o gosto contínuo pela leitura, seja como forma de
entretenimento, seja como instrumento eficiente de pesquisa e de aprendizagem.
TEMA
Biblioteca de
mãos dadas com educadores (as) e educandos (as) para juntos aprenderem a
conhecer, a fazer, a viver e a conviver.
OBJETIVO GERAL
Motivar os
corpos discentes e docentes, assim como familiares e pessoas das comunidades
circunvizinhas para perceberem a importância da leitura, enquanto instrumento
impulsionador do desenvolvimento cognitivo e de convivência sociocultural de
cada ser humano; levando-os a compreender que a biblioteca deve ser um suporte
alavancador para que sejam alcançados os objetivos da escola e de quaisquer
sistemas que busquem a melhoria da qualidade da educação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
. exercitar a leitura de textos literários e não
literários;
. comparar histórias literárias com a realidade
social dos educandos;
. exercer a prática de produção de textos;
. consultar dicionários, atlas, mapas, jornais,
revistas e quaisquer outros materiais para estudo e pesquisa e, com isso,
aumentar os seus conhecimentos lingüísticos, históricos, geográficos,
artísticos e culturais;
.expressar as diversas maneiras de comunicação,
utilizando-se de interpretações de histórias literárias de diferentes gêneros
textuais.
PÚBLICO – ALVO
Alunos e
alunas da escola: do ensino Fundamental, do EJA e do Projvem. Estudantes com
faixa etária variando entre 4( quatro) e 60 (sessenta) anos. Obviamente o
grande percentual é composto de crianças de adolescentes. Os educados residem
nas comunidades situadas no entorno da escola.
Fazem parte
do público-alvo também: educadores (as), funcionários e familiares dos alunos
do estabelecimento.
JUSTIFICATIVA
Conforme já
explicitado na apresentação desse plano de ação, sua elaboração com essa
temática deve-se a concepção de que uma biblioteca escolar difere das demais
bibliotecas – ela deve interagir sempre com os demais setores da escola,
especialmente com educadores, com a perspectiva de colaboração no processo de
ensino e de aprendizagem. Além disso, as ações nele contidas consideram também
as mudanças pedagógicas, administrativas e culturais propostas pela gestão e
pelo corpo técnico – pedagógico a partir do ano letivo de 2012. Transformações
que visam resgatar a credibilidade da escola frente às comunidades
circunvizinhas e à sociedade pessoense e paraibana e, principalmente,
qualificar a educação e o ensino do estabelecimento.
Atividades planejadas
·
Organização de calendário de aulas na biblioteca
para os professores do turno da manhã – uma aula por semana para cada turma;
·
Organização de calendário de aulas de Português –
Leitura e gêneros textuais, na biblioteca: 01 hora aula por semana;
·
Agendamento de aulas na biblioteca para leitura de
professores de outras disciplinas dos três turnos da escola;
·
Definição de uma hora semanal na biblioteca para os
(as) professores (as) de língua portuguesa do EJA e do Projovem;
·
Preparação do livro de assinatura de alunos, de
professores e do funcionário que atuarem em cada atividade educacional na
biblioteca;
·
Planejamento com profissionais, especialistas e
gestores para atividades de aulas passeio e extensão escolar;
·
Reunião entre os funcionários da biblioteca
mensalmente para avaliar as atividades realizadas e replanejar outras, caso
seja necessário;
·
Estabelecimento de parcerias com educadores (ras)
envolvidos em outros programas e ou projetos da escola, especialmente com O
Mais Educação, o Escola Aberta, o CRER SER, o Saúde Integral, o Educação Para o
Trânsito, Sexualidade, Questão de Gênero e Clube de Leitura;
·
Colaboração com os (as) educadores (as) na
organização de atividades de extensão;
·
Promoção de palestras, seminários e encontros sobre
assuntos ligados aos temas transversais: cidadania, direitos humanos,
sexualidade, educação ambiental, saúde integral, população afrodescendente e
indígena (etnias) e cuidados com o patrimônio público;
·
Realização de exposição de livros e de outros
materiais de leituras verbais e não verbais, como: fotografias e outros
elementos iconográficos mensalmente;
·
Estabelecimento de parcerias com o pessoal do
laboratório de informática para a realização de pesquisas de textos e outros
instrumentos iconográficos que subsidiem os trabalhos educacionais de
professores e alunos, bem como de quaisquer pessoas que procurem a biblioteca
para leitura e pesquisa;
·
Listagem de alunos (as) que se destacarem nos
trabalhos organizados pela biblioteca, entre eles o empréstimo de livros para
leitura em domicílio;
·
Participação dos (as) funcionários (as) da
biblioteca nos planejamentos e nos cursos de formação realizados pela escola;
·
Oferecimento de condições de estudo e pesquisa aos
alunos e aos professores;
·
Exposição de agenda contendo as datas comemorativas
e que tenham relação com a socialização de conhecimentos sociais, econômicos,
históricos, geográficos e culturais;
·
Empréstimo de livros a alunos e professores da
escola – um por vez, com direito de posse por até 08 dias úteis;
·
Premiação sempre que houver condições a educandos
(as) que se destacarem em composição de textos e contação de histórias, desde
que sejam atividades organizadas pela biblioteca;
·
Reunião para estabelecer a forma de participação de
pessoas das comunidades na biblioteca em contação de histórias, recreação, roda
de leitura, exposição de livros e outras obras de arte;
·
Escolha de alunos monitores para contribuir com a
leitura de outros colegas com faixas etárias abaixo das suas ou que apresentem
dificuldades de letramento e/ou de alfabetização;
·
Zelo, organização e preservação dos livros e de
quaisquer materiais que componham o patrimônio da biblioteca Lúcio Lins.
·
Colaborar de forma efetiva com a execução do
Projeto de leitura da escola: DESPERTANDO PARA A VIDA, ATRAVÉS DA LEITURA.
CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DAS ATIVIDADES
Atividades:
|
Período de execução
|
Organização de livro de assinaturas, cadastro de leitor, organização
da biblioteca, exposição de livros e de outros materiais de leitura.
|
Início do ano letivo – primeira quinzena de fevereiro.
|
Preparação de calendário de atividades de leitura de professores e
alunos na biblioteca e primeira exposição de livros.
|
Segunda quinzena de fevereiro.
|
Elaboração de projetos de leitura.
|
Primeira quinzena de fevereiro.
|
Avaliação dos trabalhos da biblioteca.
|
Mensalmente.
|
Participação nos planejamentos da escola.
|
Mensalmente.
|
Planejamento e participação em aulas passeio.
|
Mensalmente, de modo ordinário; e, extraordinariamente, sempre que
situações de aprendizagem exigirem.
|
Planejamento e organização de palestras e seminários.
|
Sempre que um tema transversal se faça presente no processo
educacional da escola.
|
Confecção e publicação de agendas culturais.
|
Mensalmente.
|
Colaboração em eventos transversais e interdisciplinares da escola.
|
Em conformidade com o calendário estipulado pela escola.
|
Efetuação das demais tarefas contidas nesse projeto.
|
Cotidianamente, enquanto função de cada funcionário da biblioteca.
|
AVALIAÇÃO
Espera-se que
no decorrer de cada bimestre letivo a procura pela leitura aumente
gradativamente, em proporção geométrica, bem como seja perceptível aos
educadores (as) a melhoria no desenvolvimento social e lingüístico de cada
aluno-leitor. Quanto aos aspectos sociais, são esperados que os critérios para
a boa convivência com os (as) colegas com as e os professores (as) e com as
demais pessoas que frequentem a biblioteca e a escola sejam assimilados; e,
particularmente, que a prática dos direitos humanos e da cidadania seja
essencial ao processo de ensino e de aprendizagem.
É conveniente
esclarecer que as estratégias de avaliação nos trabalhos educacionais na
biblioteca diferem daquelas de sala de aula, já que aqui só haverá processo
subjetivo, em se observa se as atitudes comportamentais e desempenho do
leitor-aluno em cada atividade planejada. É fundamental que durante a avaliação
seja observada à evolução do comportamento e de atitudes cidadãs de cada
educando e de cada educanda.
RECURSOS HUMANOS
Executores: Enildo da Paixão Rodrigues
Bernadete de Assis
Maria Salete Grilo
Dariele Dias Dutra
Carmélia de Lima Galvão
Luzinete da Silva Nascimento
Parcerias e apoios:
Serviço de orientação e psicologia
educacional, supervisão escolar; gestão da escola: Ana Lúcia Pedrosa Costa,
Maria do Socorro Viana, Maria Elizabeth de Oliveira e Teomary Alves; monitores
do laboratório de informática e sala de multimídia.
Materiais documentais:
Livros,
jornais, revistas, atlas, mapas, vídeos, fotografias, tiras, charges,
observações de situações: humanas, espaciais, sociais e linguísticas nas aulas
passeio; e, textos da Web e materiais iconográficos da Rede Mundial de Computadores.
Outros materiais:
Lápis,
papeis, máquina fotográfica, aparelho celular, telão, aparelhagem de som,
computador, tablete, blogs, agendas, entre outros.
REFERÊNCIAS
BRASIL.
Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos
temas transversais/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF,
l998;
BRASIL.
Estatuto da Criança e do adolescente/ Lei Federal 8.069/1990. Presidência da
República Federativa do Brasil/Secretaria Especial dos Direitos Humanos.
Governo do Estado da Paraíba/CEDECA-PB/SEDH, João Pessoa, 2009;
BRASIL.
Constituição da República Federativa do Brasil, Ediouro, 1988. PREFEITURA
MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA. Proposta Curricular da rede municipal de ensino:
UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA – Ensino Fundamental (5ª
ao 8ª série). SEDEC, João Pessoa, 2004.
PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA. Diretrizes 2011, SEDEC/DGC, João Pessoa,
2011.
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